Experiência - 10 de outubro, 2019

Imagens e Internet: expectativas irreais e suas consequências

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Manipulação de imagens e expectativas sobre realidade

Conforme a sociedade caminha, as pessoas inseridas nela mudam, e seu modo de ver o mundo também muda. Essas mudanças são causadas por diversos fatores, e, nos últimos anos, a maioria deles tem relação direta com a tecnologia e sua exponencial evolução.

No século 18, foi a Revolução Industrial. Em meados dos anos 80, o lançamento dos computadores pessoais. Nos anos 90, a criação e expansão da Internet. Nos anos 2000, a popularização da Internet e de dispositivos móveis. E agora, nos anos 2010, o principal fator de mudança no modo de ver da sociedade é a inteligência artificial, e como ela (e nós) seleciona, edita e manipula imagens.

Atualmente, mais de 3,5 bilhões de posts são curtidos no Instagram todos os dias. Considerando os vários outros aplicativos de compartilhamento de imagens, a sociedade atual produz e consome uma quantidade astronômica de fotografias, em uma dimensão nunca antes vista. E a maioria dessas imagens é cuidadosamente selecionada, editada e melhorada para que se torne a melhor versão possível, na esperança de ganhar algum destaque no infinito oceano fotográfico que é a Internet.

Como consequência, pouco a pouco a fotografia perde sua característica realista, que retrata e reflete o mundo a nossa volta, e passa a adquirir um toque de surrealidade, com cores realçadas e melhoradas, retocadas à perfeição. Isso se prova arriscado devido ao fato de que imagens têm um enorme poder de manipulação da mente humana, alterando o que sabemos do passado e o que imaginamos sobre o futuro, mudando nossa perspectiva em relação à realidade.

E isso vai além de paisagens encantadoras e selfies de pele perfeita no Instagram: a manipulação de imagens através de recursos como aplicativos, programas e computação gráfica dá origem a imagens impressionantes e irreais, desde as mais simples como as fotos “envelhecidas” do aplicativo Face App, até as mais potencialmente perigosas, como os vídeos “deepfake” de personalidades como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, falando e fazendo coisas que nunca existiram na vida real.

E, por mais inteligentes, informados e cheios de discernimento que sejamos, está na natureza do cérebro humano interpretar fotografias e vídeos como prova de que algo realmente aconteceu. Pesquisas psicológicas provam que somos facilmente manipulados por imagens com aparência realista, devido à nossa constante exposição a elas.

Além de abrir um enorme potencial para ações de má-fé, isso tem consequências na vida diária, pois faz com que a vida real pareça decepcionante quando colocada em comparação com as imagens às quais somos expostos à exaustão na Internet. Esse tipo de constante comparação e decepção pode (e já é) uma grande causa em casos de depressão e dismorfia corporal. Colocamos nossas vidas, rostos e corpos em comparação com representações que não correspondem à nenhuma realidade, e tentamos manipular a nossa realidade para que se encaixem nessas comparações.

Para combater essa manipulação da nossa percepção como seres humanos, a coisa mais fundamental é a educação: ao ter conhecimento desses fatores se torna possível combatê-los, aumentando nossa desconfiança em relação às imagens que consumimos diariamente e ajustando nossas expectativas de volta para níveis realistas e atingíveis.

Fontes:
https://onezero.medium.com/a-i-is-changing-how-you-see-the-world-965e347b04ee

Manipulação de imagens e expectativas sobre realidade

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