Experiência - 21 de outubro, 2019

A inteligência artificial não é tão inteligente quanto parece

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A inteligência artificial e a falta de senso comum

Nos últimos anos, a inteligência artificial e suas aplicações chegaram a níveis nunca antes vistos. Robôs e sistemas são capazes de executar tarefas, processar ordens e reconhecer padrões – feitos que que há apenas algumas décadas seriam dignos de filmes de ficção científica.

Porém, por mais avançados que esses sistemas sejam, e continuam a evoluir, ainda existe um grande obstáculo que a inteligência artificial não conseguiu superar: a falta de senso comum.

Define-se “senso comum” como a compreensão do mundo baseada em experiências acumuladas por um grupo social. É o que define o que é considerado “normal”, “moral” e “correto” em uma determinada sociedade. Essa característica aparece principalmente nas decisões, opiniões e ações do dia a dia, que não exigem conhecimento científico ou análises profundas. Nem sempre são ideias corretas, já que estão sujeitas a influências de estereótipos, experiências atípicas, preconceitos e vieses inconscientes. Olhar para os dois lados para se certificar que dá tempo de atravessar uma rua antes de um carro passar é um exemplo de senso comum, já que não precisamos calcular fatores como a aceleração do carro, a distância entre um lado e o outro da rua e a velocidade média da nossa passada; apenas observamos e decidimos se vamos atravessar (ou não). Ou a ideia de que asiáticos são inteligentes ou muçulmanos são terroristas também se encaixam na ideia de senso comum, por mais preconceituosas e erradas que possam estar.

A principal variável no senso comum, é que ele é aprendido de maneira quase inconsciente e natural, devido a influências do lugar, tempo e condições nas quais vivemos. Por isso é tão difícil incluir esse fator nos sistemas de inteligência artificial.

Por serem criados através de dados, equações e programação, robôs não adquirem essa noção de senso comum, já que não vivem essas experiências necessárias para a sua formação. São ótimos no processamento de informações repetitivas, na análise de dados, na detecção de padrões e na previsão de tendências, mas não são capazes de abrir uma porta trancada – já que, por enquanto, ainda não é possível programar um robô com todas as variáveis envolvidas em enfiar uma chave na fechadura, girar a maçaneta e empurrar a porta da maneira certa para que ela abra.

O desafio de ensinar robôs muito mais do que o recolhimento, análise e avaliação de dados ainda é um dos maiores enfrentados pela ciência atual. Mas, enquanto isso, é uma boa notícia para nós, humanos: no caso de um ataque por um robô rebelde, a maneira mais eficiente de se defender é bem simples: basta trancar a porta.

Fonte:
https://bigthink.com/videos/how-smart-are-robots-ai

A inteligência artificial e a falta de senso comum

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